Personalização visual da carteira digital e tela de bloqueio chega ao iOS sem jailbreak
Nova ferramenta para macOS modifica a aparência de cartões do Apple Pay e botões numéricos no iPhone por meio de sincronização local.
Nova ferramenta para macOS modifica a aparência de cartões do Apple Pay e botões numéricos no iPhone por meio de sincronização local.
O aplicativo AirCard, criado pelo desenvolvedor mak5er com contribuições de Lumid-Off, surgiu como uma alternativa para alterar elementos visuais no iPhone sem exigir jailbreak, procedimento que remove travas de segurança da Apple. O projeto ganhou tração acelerada e alcançou a décima posição semanal no ranking Trendshift, acumulando 3.471 estrelas em um intervalo curto após sua criação em 16 de setembro de 2026. A ferramenta resolve a rigidez visual do sistema móvel da Apple ao viabilizar a troca estética de cartões cadastrados na carteira digital e dos botões da tela de bloqueio.
O sistema operacional móvel da Apple impõe barreiras estritas para a modificação de interfaces nativas. Usuários que pretendem trocar imagens de cartões bancários cadastrados no Apple Pay ou alterar a aparência dos botões numéricos costumavam recorrer a métodos invasivos de jailbreak, que alteram a raiz do sistema e invalidam proteções nativas de fábrica.
Com a evolução das versões a partir do iOS 18, abordagens antigas de personalização gráfica tornaram-se inviáveis. A ausência de suporte nativo para personalização estética manteve a interface idêntica para todos os usuários, sem opções simples para distinguir múltiplos cartões emitidos pela mesma instituição bancária.
O AirCard atua nessa restrição ao utilizar um canal de sincronização local entre o computador e o telefone. O utilitário estabelece um meio de gravar artes gráficas personalizadas no armazenamento do aparelho sem corromper assinaturas do sistema operacional e sem remover o isolamento padrão de segurança exigido pelo hardware.
A arquitetura interna do utilitário baseia-se no exploit airlift, uma falha de isolamento no mecanismo de sincronização AirTraffic originalmente demonstrada por 0xjohnny. O software para macOS conecta-se ao iPhone por cabo USB e lê eventos do serviço de log unificado do aparelho. Durante o acesso à carteira com autenticação biométrica pelo Face ID, o sistema detecta os identificadores dos cartões e grava os novos arquivos de imagem nas pastas correspondentes.
Para instalar a versão distribuída em pacote pronto, o usuário obtém o arquivo AirCard.dmg na área de lançamentos do projeto e move o executável para a pasta de aplicativos do macOS. O programa é independente e traz embutidos os motores de imagem e os módulos de comunicação, funcionando em computadores com processadores Apple Silicon e Intel. Caso seja necessário compilar o código diretamente do repositório, o processo utiliza comandos diretos no terminal:
git clone https://github.com/mak5er/AirCard.git
cd AirCard
chmod +x build.sh
./build.sh
Depois de abrir o aplicativo, o usuário clica para escanear cartões, realiza o toque na tela da carteira do iPhone e aplica os arquivos de imagem escolhidos. A atualização visual passa a ser exibida após encerrar o aplicativo da carteira no alternador de tarefas ou após reiniciar o dispositivo.
Diferente de modificações clássicas que exigem a quebra completa do sistema por jailbreak, o AirCard opera externamente por meio de um computador Mac sem gravar dados na partição raiz do telefone. A ferramenta dispensa o uso de gerenciadores de pacotes como Homebrew ou módulos adicionais em Python, distribuindo todos os binários de suporte dentro de sua própria estrutura.
Outro ponto de distinção é a presença de um módulo para criação e ajuste de temas de teclado numérico. Enquanto soluções anteriores dependiam de editores gráficos externos para preparar cada botão, o utilitário permite carregar arquivos existentes, ajustar o enquadramento de fotos e regravar os dados diretamente. O software também gera versões gráficas adaptadas para opções de acessibilidade com texto em negrito e diferentes idiomas do sistema.
Embora publicado sob os termos da licença MIT, o projeto possui histórico recente, com criação em 16 de setembro de 2026 e última alteração de código registrada em 22 de setembro de 2026, data em que saiu a versão v1.2.4. Com 36 chamados abertos no repositório, a ferramenta exibe restrições em determinados ambientes, como no iOS 18.6.2, onde mensagens necessárias para a identificação de cartões podem ser omitidas pelo serviço de registros do telefone.
O funcionamento apoia-se em uma brecha no protocolo de sincronização AirTraffic, sujeita a bloqueios por correções de segurança em atualizações futuras distribuídas pela Apple. Valores marcados como privados pelo próprio iOS não conseguem ser recuperados pelo scanner do aplicativo. Informações como tópicos de catalogação e página web oficial constam como não informado no repositório. O primeiro uso no macOS pode demandar autorização manual nas opções de segurança do sistema operacional para contornar verificações do Gatekeeper.