OpenAI interrompe rede de golpes no Camboja que usava ChatGPT
A operação aplicava fraudes de investimento, romance, apostas e falsa representação policial em WhatsApp e Telegram.
A operação aplicava fraudes de investimento, romance, apostas e falsa representação policial em WhatsApp e Telegram.
A OpenAI anunciou em 2026-07-31 que interrompeu uma operação de golpes baseada no Camboja que usava ChatGPT em quatro frentes: investimentos, romance, apostas e falsa representação policial. A rede criava personas falsas, traduzia conversas e produzia imagens para abordar vítimas em WhatsApp, Telegram e redes sociais. O caso interessa a usuários dessas plataformas porque os criminosos combinaram pressão emocional, promessas financeiras e pedidos de pagamento.
Segundo a OpenAI, os operadores usavam identidades de namoro para ganhar confiança antes de apresentar investimentos fraudulentos em criptomoedas e negociação de ouro à vista. Outros usuários mantinham conversas românticas longas com alvos, usando identidades fictícias e linguagem afetiva.
A rede também fingia representar plataformas de apostas online. Os operadores prometiam bônus e prêmios inexistentes, depois pediam depósitos para liberar os valores. Em outra tática, imitavam órgãos de segurança e cobravam multas falsas por supostos crimes graves.
As mensagens exploravam “retornos garantidos” e investimentos “sem risco”, segundo a OpenAI. Os criminosos também exigiam segredo, criavam urgência antes do vencimento de bônus fictícios e pediam que as vítimas agissem rapidamente. A consequência buscada era o pagamento de taxas, depósitos ou multas inventadas.
O ChatGPT ajudava a traduzir e gerar conversas com os alvos. A rede também usava o modelo para pesquisar material de perfis de namoro e criar publicações para redes sociais. A OpenAI atribui aos criminosos imagens de passaportes falsos, avisos legais, confirmações de compra de ações e interfaces de plataformas de apostas.
A empresa divulgou uma interface falsa de negociação de criptomoedas e uma imagem promocional de um investimento fraudulento. Esses arquivos demonstram o tipo de conteúdo visual produzido para a operação. Eles não demonstram quantas vítimas receberam as peças nem quanto dinheiro a rede obteve.
Uma parte dos usuários empregava ChatGPT em tarefas internas, conforme a OpenAI. As atividades incluíam redigir comunicados, traduzir mensagens entre funcionários e registrar informações sobre recrutamento, imigração, condições de trabalho e disciplina.
A empresa afirma que alguns conteúdos sugeriam vínculos com tráfico humano e trabalho forçado. A OpenAI também declara que não consegue determinar de forma independente a situação de cada indivíduo envolvido. Por isso, o comunicado trata como possível a existência de vítimas entre os próprios trabalhadores da operação.
A investigação começou após um alerta do WhatsApp, informou a OpenAI. Depois, a empresa compartilhou sinais adicionais da ameaça com parceiros do setor e autoridades relevantes. O anúncio não identifica esses parceiros nem nomeia as autoridades que receberam os dados.
O comunicado não informa quantas contas foram bloqueadas, quantas vítimas a rede atingiu ou qual prejuízo financeiro ela causou. Também não apresenta requisito novo de acesso ao ChatGPT, mudança de disponibilidade ou versão específica do modelo. A medida descrita é a interrupção de usuários e o compartilhamento de sinais de ameaça.
A OpenAI compara o episódio com outras redes de golpes que diz ter interrompido. Segundo a empresa, grupos criminosos alternam entre diferentes fraudes e combinam técnicas para adaptar as histórias às vítimas. O anúncio sustenta essa conclusão com os quatro tipos de esquema identificados, mas não divulga dados para medir a frequência desse padrão fora da operação no Camboja.