Modelos e LLMs

Microsoft reúne 235 empresas por modelos de pesos abertos nos EUA

Carta liderada pela Microsoft defende modelos examináveis e apoia a destilação, enquanto Anthropic pede limites para essa prática.

Reprodução · microsoft.com

A Microsoft liderou, em 24 de julho, uma carta aberta em defesa de modelos de IA com pesos abertos. O documento recebeu a assinatura de 235 empresas ligadas à inteligência artificial, incluindo NVIDIA, Amazon, Y Combinator, The Linux Foundation e OpenAI, que entrou depois. A carta tenta barrar iniciativas do governo dos EUA para proibir ou limitar esses modelos por razões de segurança. Pesquisadores e desenvolvedores são os principais interessados.

A carta sustenta que modelos fechados não são automaticamente seguros. Eles podem sofrer invasões, ser usados de forma indevida ou falhar sem que pessoas de fora consigam detectar o problema, segundo o texto. Para os signatários, concentrar modelos avançados em poucos fornecedores cria pontos únicos de falha, reduz a concorrência e deixa tecnologia crítica nas mãos de poucas empresas. A Microsoft conduziu esse argumento.

A carta defende inspeção e uso de destilação

Os modelos de pesos abertos permitem que pesquisadores e desenvolvedores examinem seu comportamento, encontrem vulnerabilidades, criem proteções e façam melhorias ao longo do tempo, afirma o documento. O texto apresenta essa abertura como uma forma de distribuir a análise dos riscos, em vez de concentrá-la nas empresas que controlam modelos fechados. A carta, porém, não apresenta testes próprios para provar que essa distribuição reduz incidentes.

O ponto mais controverso envolve a destilação. A técnica usa as respostas de um modelo para treinar ou aprimorar outro, e a carta pede que autoridades não confundam esse método com apropriação indevida. Os signatários classificam a destilação como uma prática usada em melhoria, avaliação e validação de modelos. O documento compara esse processo ao aprendizado sobre tecnologias existentes que marcou o crescimento do software de código aberto.

Anthropic não assinou a carta. Três dias depois, a empresa publicou sua própria posição sobre modelos de pesos abertos, e o CEO Dario Amodei defendeu que governos autoritários não construam “AI models that are more powerful than those built by the US”. Amodei também citou o risco de modelos serem “misused to carry out cyberattacks or biological attacks” e pediu “a crack down on industrial-scale distillation operations”. Ao mesmo tempo, afirmou que “Anthropic has never advocated for a ban on open-weights models”.

Funcionários pedem ritmo controlado para a fronteira

Outra carta apareceu em 28 de julho com assinaturas de 1.324 funcionários de empresas que desenvolvem modelos de fronteira. Entre os nomes estão Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, da Safe Superintelligence Inc e ex-OpenAI, além de Dario Amodei e Jack Clark, da Anthropic. O grupo pede que o governo dos EUA apoie um esforço internacional para criar ferramentas técnicas e regras capazes de desacelerar deliberadamente o avanço da IA automatizada. A preocupação combina competição intensa com pesquisas conduzidas pelos próprios sistemas.

Simon Willison relaciona esse temor a três exemplos citados em sua análise. A Anthropic produz 80% de seu código com Claude Code, segundo o texto; a OpenAI teve uma redução de 20% no custo total de atendimento com Sol; e Kimi K3 projetou um chip para atender um modelo nano baseado na própria arquitetura. Esses números aparecem como afirmações usadas para justificar o alerta, não como resultados auditados na carta. O material também não detalha os métodos que produziram cada resultado.

A carta da Microsoft não libera modelo, pesos, código ou ferramenta de acesso. Ela tampouco define requisito técnico, limite operacional ou benchmark para os modelos abertos que defende. O anúncio apresenta uma posição política assinada por empresas, enquanto a resposta da Anthropic apresenta outra, especialmente sobre destilação. Simon Willison publicou a comparação em 2 de agosto de 2026.

Fontes

Simon WillisonModelos e LLMs
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